Caótica Apostática Romana
Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo.
(E não nos deixe cair em tentação: mas livrai-nos do mal.)
Eu não acredito mais em Deus. Já tinha te contado isso? Bem, pode se espantar, mas a verdade é essa mesmo, ainda estou na fase de aceitação, tomara que a tal "paz ateísta" venha logo. Agora, o que eu menos tenho é paz.
Eu queria acreditar em Deus. Queria mesmo. Mas depois de um tempo parece tão irracional. Não sou mais romântica. Não é plausível que exista Deus, e ainda assim estou escrevendo seu nome com inicial maiúscula. Tenho respeito por quem acredita, acho que tenho até uma certa inveja, elas se apóiam em algo, afinal. Em que eu me apóio? Em que nós, os ateus, nos apoiamos? Se é pra ter apoio em mim mesma... eu passo.
Foi preciso que eu fosse a um grupo de jovens pra ver que não acreditava em Deus. Eles estavam cantando, louvando, adorando, chorando... e eu me concentrando, tentando me emocionar, tentando não julgar tudo o que diziam, as palestras, as pessoas. Nada daquilo tinha significado pra mim. Eu procuro por verdades mais profundas. E Deus é uma coisa que você inventa quando precisa de favores.
Um dia, pode ser que eu engula minhas próprias palavras. Pode ser que eu morra e me arrependa de não ter sido cristã. Mas o próprio cristianismo me confunde. Como pode só um grupo seleto de pessoas chegarem ao so called reino dos céus? E a menina muçulmana que nasceu no Paquistão, foi criada daquele jeito, e não sabe nem quem é o papa? Ah, mas dizem que é o mesmo Deus.
Estudando história, biologia, química, matemática e a toda-poderosa física, vendo as desgraças do mundo, vendo a pobreza, a fome, a injustiça, a roubalheira, vendo o ser humano, qualquer um na rua, isso só me prova que Deus não existe. Eu quero acreditar, eu juro que quero, eu juro de pés juntos que quero! É essencial que você entenda isso, Di.
Esse é um assunto delicado. Cada um tem a sua religião, mas eu simplesmente não tenho religião nenhuma. Eu tenho meus alter egos. Eu tenho a minha consciência. E eu espero profundamente não precisar da igreja pra me dizer que devo fazer o bem. É a convivência, é o homem lutando contra a entropia e, ultimamente, perdendo. Igrejas foram criadas para limitar as pessoas. E limitar no BOM SENTIDO, LIMITAR É ÓTIMO, limitar faz desse mundo habitável, faz das pessoas mais comedidas, apazigua as dores. Eu levanto a bandeirinha pra limitação.
Mas, no momento que não preciso disso pra fazer o bem, me desligo de toda e qualquer igreja. É como se eu dissesse "ok, eu já sei o que fazer e já aprendi o que vocês nunca se preocuparam em ensinar. graduei." E fosse porta afora, e me preocupasse com coisas maiores.
Não concordo com zombaria que vários palestrantes utilizaram como modo de nos convencer de que estávamos na igreja certa. É engraçado ser hare krishna? Pra eles não é, pra eles é uma coisa séria e, sinceramente, só porque eles acreditam que pessoas reencarnam em plantas, acreditam piamente nisso, é justo que eles sofram a danação eterna? Se eles fazem o bem, se são caridosos, se acham que fazer aquilo é o melhor pra eles e pra humanidade, meu Deus, o que há de errado neles?
Engraçado como possa parecer, converso muito frequentemente com "alguém", uma pessoa imaginária que tudo sabe e tudo vê, e me dá ótimas dicas, ótimos conselhos. Ultimamente, ando chamando essa pessoa de consciência. E quero chamar de Deus de novo. Quero acreditar que há alguém lá fora olhando por mim, que tudo o que acontece é por uma razão que futuramente se explicará, e não somente o acaso e as leis da física.
Di, dona católica fervorosa (?), me ensina?
sábado, 26 de maio de 2007
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2 comentários:
shausahusahuhsa Que medoooo!!!!
Note: Estou conseguindo comentar no blog do meu pc! \0/
Lara, eu tava preocupada com vc, mulher. Sumiu da terra! Ai que alívio ver seu post aqui. Embora seja perceptível que a senhorita ainda está deprimida.
E que medo! Segunda vez que falamos do mesmo assunto no msm dia... só q em blogs diferentes. Vai lá da uma olhada no Entre FAses. Vc tb vai se assustar.
E que católica fervorosa sou eu que minha afilhada erra minha "religião" sahushausahuah Se em algum tempo tive religião, foi protestantismo. Eu era da igreja Batista e já fui fervorosa. Não sou mais.
Na verdade mal sei no que acreditar, mas prefiro acreditar que há um Deus. Preciso ter onde me apoiar e acho que seria uma injúria dizer que Deus não existe quando Ele já me provou o contrário, mas tem horas que realmente Ele parece não existir. Eu te entendo.
Lara, td é fase, questionamentos espirituais vem e vão, faz parte do ser humano duvidar e questionar. Acho bom que façamos isso. Acho bom que questionemos qlq coisa.
É fazendo perguntas que se pode encontrar as respostas, tvz demore, mas se quisermos, uma dia vamos encontrar.
Te amo, Larinha.
Bom, descobri esse blog através da Diana. Por acaso ela pôs um link dele num comentário que ela fez no meu blog.
Quanto ao post: Sei exatamente o que se passa em sua cabeça. Sou cético, não acredito em deus. Também não duvido que ele possa existir mas no momento não acredito. Mas já encontrei o que vc chamou de "paz ateísta". Hoje me sinto muito confortável com a minha situação e não sinto a necessidade de acreditar em deus nem em outra coisa. Concordo com você quando disse que a limitação é benéfica, eu por exemplo me limitei a deixar certas coisas que eu não entendo de lado. Pois o fato de eu me preocupar ou não com elas não faz com que ninguém morra ou viva, e tirando esses dois problemas, o resto eu resolvo fácil. Boa sorte pra você Lara, mesmo sem conhecer você.
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