segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nós somos como borboletas, com algumas diferenças, entre elas, que passamos por mais de um processo de evolução.

Nascemos e quando saímos de nossa mãe, somos um dos seres mais estúpidos do planeta. Não sabemos falar, não sabemos andar, não podemos mastigar e apenas dormimos, choramos, fazemos sujeiras na fralda etc.

Mas com o passar do tempo evoluímos e aprendemos tudo isso, vamos adquirindo nossas experiências e absorvendo conhecimentos, ainda com uma visão muito inocente do mundo.

Chega a hora de irmos para o colégio e mais uma experiência, a do aprendizado forçado e com responsabilidade, a convivência com outras crianças, muito mais amiguinhos do que estamos acostumados e cada um com sua personalidade e característica própria. Começamos com muita dificuldade, ou não, a aprender que devemos respeitar as diferenças existentes nas pessoas.

Vem a adolescência e junto com ela a mudança hormonal e alterações no corpo, mais drástico ainda se tratando das meninas, temos que aprender a nos acostumar com novos desejos, com as alterações que ocorrem conosco por dentro e por fora.

Na adolescência também podemos passar pela fase rebelde sem causa, não muito bem justificada onde por alguma razão odiamos boa parte da população, principalmente os adultos.

Depois dessa fase complicada (e põe complicada nisso), onde vivemos as mais diversas alterações sejam psicológicas, sejam físicas, em que aprendemos ou nos acostumamos a nos relacionar com as pessoas nas mais diferentes formas, achando o próximo cada vez mais complexo.

Chegamos na fase adulta e incrivelmente desejamos voltar pra infância ou adolescência, esquecemos tudo que era complicado, até porque já entendemos o que acontecia e apenas queremos voltar à fase de não ter responsabilidades além dos estudos e passar o dia todo se divertindo. Mas o tempo não pára e temos que ir em busca da nossa independência, sair das asinhas dos pais, amadurecer e cair no mundo, assumindo responsabilidades e enfrentando os problemas do dia-a-dia, a selva fabricada por nós mesmos.

Depois casamos e assim vai...

Cada fase tem sua magia, cada fase tem sua dificuldade e temos que aprender a nos dar com todas. Nem uma é mais difícil que a outra, apenas são diferentes e temos que enfrentar cada uma delas, faz parte do processo e todos os seres da natureza enfrentam suas fases, claro que com suas diferenças, mas todos passam pelas dificuldades de sua espécie e se um grilo enfrenta as dificuldades da natureza cercado de predadores, por que nós não conseguiremos? Nós que somos seres racionais.

Mas voltando à borboleta... ela pode se envolver em um casulo e sair quando está preparada, após terminar sua transformação, uma vantagem que não temos. Mas, somos capazes de pensar, de amadurecer, aprender e nos preparar pra enfrentar a nossa fase e vivermos nessa contínua evolução, vencendo os desafios que nos são impostos.

Lá, assim que a vida funciona, o mundo não gira ao nosso redor como você já sabe e o tempo não espera, mas somos inteligente e capazes de evoluir, de aprender e transpassar cada momento, cada dificuldade que a vida nos impõe.

Vamos ter força amiga, dúvidas fazem parte da vida, dificuldades e desafios todos têm, a diferença está em como enfrentamos tudo isso.

sábado, 26 de maio de 2007

Caótica Apostática Romana

Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo.
(E não nos deixe cair em tentação: mas livrai-nos do mal.)

Eu não acredito mais em Deus. Já tinha te contado isso? Bem, pode se espantar, mas a verdade é essa mesmo, ainda estou na fase de aceitação, tomara que a tal "paz ateísta" venha logo. Agora, o que eu menos tenho é paz.

Eu queria acreditar em Deus. Queria mesmo. Mas depois de um tempo parece tão irracional. Não sou mais romântica. Não é plausível que exista Deus, e ainda assim estou escrevendo seu nome com inicial maiúscula. Tenho respeito por quem acredita, acho que tenho até uma certa inveja, elas se apóiam em algo, afinal. Em que eu me apóio? Em que nós, os ateus, nos apoiamos? Se é pra ter apoio em mim mesma... eu passo.

Foi preciso que eu fosse a um grupo de jovens pra ver que não acreditava em Deus. Eles estavam cantando, louvando, adorando, chorando... e eu me concentrando, tentando me emocionar, tentando não julgar tudo o que diziam, as palestras, as pessoas. Nada daquilo tinha significado pra mim. Eu procuro por verdades mais profundas. E Deus é uma coisa que você inventa quando precisa de favores.

Um dia, pode ser que eu engula minhas próprias palavras. Pode ser que eu morra e me arrependa de não ter sido cristã. Mas o próprio cristianismo me confunde. Como pode só um grupo seleto de pessoas chegarem ao so called reino dos céus? E a menina muçulmana que nasceu no Paquistão, foi criada daquele jeito, e não sabe nem quem é o papa? Ah, mas dizem que é o mesmo Deus.

Estudando história, biologia, química, matemática e a toda-poderosa física, vendo as desgraças do mundo, vendo a pobreza, a fome, a injustiça, a roubalheira, vendo o ser humano, qualquer um na rua, isso só me prova que Deus não existe. Eu quero acreditar, eu juro que quero, eu juro de pés juntos que quero! É essencial que você entenda isso, Di.

Esse é um assunto delicado. Cada um tem a sua religião, mas eu simplesmente não tenho religião nenhuma. Eu tenho meus alter egos. Eu tenho a minha consciência. E eu espero profundamente não precisar da igreja pra me dizer que devo fazer o bem. É a convivência, é o homem lutando contra a entropia e, ultimamente, perdendo. Igrejas foram criadas para limitar as pessoas. E limitar no BOM SENTIDO, LIMITAR É ÓTIMO, limitar faz desse mundo habitável, faz das pessoas mais comedidas, apazigua as dores. Eu levanto a bandeirinha pra limitação.

Mas, no momento que não preciso disso pra fazer o bem, me desligo de toda e qualquer igreja. É como se eu dissesse "ok, eu já sei o que fazer e já aprendi o que vocês nunca se preocuparam em ensinar. graduei." E fosse porta afora, e me preocupasse com coisas maiores.

Não concordo com zombaria que vários palestrantes utilizaram como modo de nos convencer de que estávamos na igreja certa. É engraçado ser hare krishna? Pra eles não é, pra eles é uma coisa séria e, sinceramente, só porque eles acreditam que pessoas reencarnam em plantas, acreditam piamente nisso, é justo que eles sofram a danação eterna? Se eles fazem o bem, se são caridosos, se acham que fazer aquilo é o melhor pra eles e pra humanidade, meu Deus, o que há de errado neles?

Engraçado como possa parecer, converso muito frequentemente com "alguém", uma pessoa imaginária que tudo sabe e tudo vê, e me dá ótimas dicas, ótimos conselhos. Ultimamente, ando chamando essa pessoa de consciência. E quero chamar de Deus de novo. Quero acreditar que há alguém lá fora olhando por mim, que tudo o que acontece é por uma razão que futuramente se explicará, e não somente o acaso e as leis da física.

Di, dona católica fervorosa (?), me ensina?

quarta-feira, 23 de maio de 2007

---> Di chegando ao som de Britney Spears (dúvido que assim saia algo inteligente da minha cabeça. Aliás, alguma hora sai algo inteligente?).


"'Cause it's a bittersweet symphony, this life

Pois esta é uma doce canção de amargura, esta vida
Try to make ends meet
Tente viver de acordo com seus recursos
You're a slave to money then you die
Você é um escravo do dinheiro, então você morre
(...)No change, I can change
Não mude, eu posso mudar
I can change, I can change
Eu posso mudar, Eu posso mudar
But I'm here in my mold
Mas eu estou aqui no meu molde
But I'm a million different people
Mas sou um milhão de pessoas diferentes
from one day to the next
De um dia para outro
I can't change my mold

Eu não posso mudar meu molde"
(Bittersweet Symphony - The Verve)

Lá, minha querida, antes sermos beneficiadas pela capacidade auto-crítica e podermos mudar o que nos incomoda do que ser um mero cavalo que apenas anda na direção que mandam.

E o que me faz ímpar? Eu não diria ser má, não mesmo, embora tenha minha maldade, mas deixemos esse assunto para outro parágrafo. Minha capacidade de ser fria em alguns momentos me faz ímpar, creio eu. Infelizmente (ou felizmente) eu sou direta, vou ao ponto, acabo logo com aquele momento de tensão e pra não precisar fazer o assunto ou à situação desagradável se estender sou muito clara pra pessoa entender e eu não precisar repetir e além do mais não sou boa com eufemismos.

Sobre ser má... não acho que você seja má, na verdade, não acho que eu seja má também. Não somos. Somos seres humanos passivas de erros e capazes de agir em benefício próprio e assim não é o mundo?

Vivemos em um país capitalista que diz em alto e bom som pra você: Cuide da sua vida, trabalhe pra si, se esforce porque ninguém fará isso pra você. Ganhe seu dinheiro ou case com alguém rico, mas tenha dinheiro, da forma que for, tenha dinheiro!

Eu não vou criticar o capitalismo porque sou capitalista, pra mim o capitalismo faz as pessoas terem ganância, se moverem pra conseguir o que desejam, seja lá o que for já que tudo precisa de dinheiro e pode-se dizer que ele é razoavelmente justo. Dependendo da importância do que você faz e do seu trabalho, esforço, você é beneficiado em uma determinada quantia de moedas. E isso é bom. Eu faço faculdade pra ganhar um salário que possa ser considerado bom e com certeza maior do que de uma pessoa com apenas o segundo grau. Aliás, eu estudo administração, aprendo a trabalhar em favor do lucro, não há como ser um administrador e ser contra o capitalismo, ao menos não na minha concepção.

Mas esquecendo o capitalismo, embora ele esteja ligado à isso. Não acho que haja maldade na gente. Apenas fazemos o que achamos melhor pra nós e é assim que temos que ser, assim que o mundo nos faz ser. Se você não cuidar de si, ninguém vai fazer isso por você. As pessoas são naturalmente egoístas, querem livrar seu próprio rabo e se darem bem, de preferência ganhando e levando tudo que puderem sozinhas. Não estou falando de ser inconseqüente, mas sim de alcançar seus objetivos, fazer o que é melhor pra você, o que te faz feliz.

Eu concordo completamente com Maquiável; os fins justificam os meios e às vezes infelizmente pra sermos felizes, alcançar algo que desejamos etc, precisamos fazer algo que vá prejudicar alguém e muitas vezes nem fazemos propositadamente, ou fazemos, só que foi necessário e não acho que isso seja maldade, na verdade, acho que é ser inteligente, isso é, dependendo do tamanho e dos malefícios dessa consequência. Não fique se martirizando pelas suas escolhas e o que foi feito, já foi feito.

Lá, tudo na vida é fase e a gente pode até se deixar afundar, mas não podemos nos perder nesse abismo, não devemos cair eternamente e de preferência não demorarmos a criar asas e voltarmos pra cima, ou entrarmos novamente no trem, seja qual metáfora preferir. Porque o mundo não espera, não há muito tempo para se ter crises e falo isso por experiência própria.

Sei que na vida há fases ultra-complicadas e que temos que tomar decisões difíceis, transpassar barreiras que parecem impossíveis, mas as pedras podem ser retiradas do caminho ou contornadas, só que pra isso precisamos nos mover e nos esforçar. Sem esforço não há vitória.

Acho que é justamente nesses momentos que paramos mais pra pensar e isso resulta em milhares de posts nos blogs da vida (hehehe), cheios de reflexão das mais sãs às mais insanas e isso tudo é natural, mas uma coisa eu aprendi; a vida funciona como um jogo de vídeo game, onde você tem que vencer o desafio de destruir o chefão pra passar pra segunda fase, onde há mais desafios e outro chefão e assim vai. Não podemos parar, temos que enfrentar o chefão e se não conseguir na primeira, há uma segunda chance, use o memory card e comece de novo, só que agora com os aprendizados e macetes obtidos na primeira tentativa, agora a vitória é mais fácil, ou menos difícil. O que não vale é ficar eternamente na primeira fase, porque o tempo não te espera o e o mundo é cruel, ele não vai querer te entender.

Não tenha medo do fracasso também, ele faz parte da vida de todo mundo, ao menos tentou e tente de novo, garanto que pior que fracassar é não ter tentado e no mais, as suas escolhas e suas guerras são pra você, ao menos devem ser, opiniões de terceiros não valem, é uma busca de satisfação pessoal, sua vida, sua guerra, sua luta, suas técnicas e sua vitória e não há nada mais delicioso do que o sabor da vitória. E depois vem outro chefão, possivelmente mais difícil que o primeiro, mas não é sua primeira dificuldade, você já venceu o primeiro desafio, pode e deve vencer o segundo, qualquer coisa, sempre há o memory card, o que não vale é parar, pois o gosto amargo da frustração é pior que qualquer coisa, na minha opinião a frustração pode ser comparado à um veneno que te mata aos poucos.

Não há vitória sem enfrentar desafios, mas há derrotas.

Quanto ao cachorro... é ótimo ter um, mas nunca substituem as pessoas e acho que é justamente por sermos complexos que somos interessantes e é isso que nos dá graça. Cair na normalidade é deprimente demais.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A Linha Férrea e os Oceanos

"If we only got one try
If we've only got one life
If time was never on our side
Before I die I want to burn out bright"

(Switchfoot, Burn Out Bright)

Quais são os seus oceanos não-pacíficos? Que defeito seu você sabe que te faz ímpar? Não, não adianta dizer que é má, porque isso eu também sou, eu e milhões de pessoas, na verdade, está meio demodê ser má.

Eu me enxergo. Essa é a minha dádiva maldita. Ah, como eu queria ser como algumas pessoas que conheço, meros cavalos que só andam na direção que lhe apontam. Pra mim, os caminhos são muitos, a chance de errar é maior, a dúvida é insuportável, e eu me pergunto: será que sou capaz de escolher, afinal? Escolher quem sou, quem quero ser um dia, escolher se, ao final da minha vida, eu terei mais sorrisos do que lágrimas?

Eu sei meus defeitos, eu vejo defeitos dos outros em mim, é como se eu tivesse acordado um dia com uma visão diferente e pronto, de repente eu não gosto tanto do que vejo no espelho. O que mudou? Sabe, eu ando pensando que o que muda mesmo é o mundo à minha volta. Que eu estou aqui parada no tempo-espaço, empaquei como um burro nos 12 anos. É como se eu tivesse descido do trem, como se eu estivesse olhando de longe a vida passar.

Parem o trem, por favor, que eu quero entrar.

Estou cansada, cansada demais. Mas isso não é desculpa pra ficar só como expectadora desse fuá que é a vida. Todo mundo cansa, todo mundo tem dor de amor, dor de corno, dor de tantas coisas... e nem por isso desistem, porque justamente eu poderia? Eu não posso, eu tenho que ser enérgica, lutar pelo que quero, ser melhor que os melhores, se não for fico pra trás! É Darwin, é Darwin!

E eu me vejo completamente apática, nostálgica, molenga, preguiçosa, sonolenta, reclamona, ranzinza, mal humorada, mal amada, mal comida. Isso não é vida. Não tem quem aguente uma pessoa assim. Eu julgo cada defeito das outras pessoas, e geralmente o defeito é delas, elas são más, fazem isso de propósito, e eu tenho a pretensão de querer ensiná-las, querer consertar o mundo! E em casa de ferreiro, espeto de pau! Esqueço que elas, como eu, tem defeitos, tem fraquezas, provavelmente tem autocrítica, talvez não tão ácida como a minha, mas tem, e isso já é um começo.

Pessoas são esquisitas, Di. No natal, me dê um cachorro.


Chega uma hora que temos que parar de descer e subir

Lá, a gente vai até o fundo do poço, minha amiga, mas uma hora a gente levanta.

Tenho que concordar com você, em muitas coisas, com uma visão agora não-negativista da vida e depois de muito desabafar através de palavras, em sua maioria escritas, a neblina que atrapalhava a minha visão se desfez e agora permito-me enchergar melhor a realidade que tampouco é menos dura, mas nem tanto cruel quanto parece quando estamos tristes demais pra perceber e preocupados demais em pensar o quanto a vida parece um joguete, igual aqueles de tabuleiros e às vezes parece que só caímos naqueles quadrados com "fique uma vez sem jogar" e "volte x casas" e nunca nos que trazem benefícios para nossa vitória.

Mas o mundo não gira ao redor de ninguém e todos estamos em uma constante luta pelo quadradinho de chegada e o mais irônico é quando o fazemos sem nem saber o que queremos da vida. E acho que você sabe bem do que falo.

Sempre surgem dúvidas, sempre há caraminholas na nossa cabeça, somos cercados de dúvidas nos momentos mais decisivos da nossa vida. Mas o mundo continua girando e temos que continuar andando pra não ficarmos pra trás, pois o tempo nos apressa e não nos dá tempo suficiente pra pensarmos direito, ou nós não soubemos utilizar o tempo no passado pra fazer decisões que já sabíamos que teríamos que tomar no futuro. Nem sempre viver um dia de cada vez é uma boa idéia.

Mas... não me desviando por completo do assunto central, apenas senti necessidade de falar tal coisa, não me dou ilusões, Lá, apenas tenho pequenos momentos de esperança no qual eu, que amo a realidade pois esta não me engana, ao contrário, é bem sincera e assim sendo também é minha amiga. Mas às vezes alimentamos tanto um desejo e a nossa esperança que entramos em um mundo de sonhos que uma hora acaba e nós acordamos com a dor daquela dolorosa queda por ter sonhado mais alto do que deveríamos.

Como diz a música do Legião Urbana "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira." e já adotei esse verso pra mim há tempos. Eu que a duras penas tive que sair do meu casulo, do meu mundinho cor-de-rosa onde sonhava com príncipes, com o mundo perfeito, a família perfeita, tudo no seu lugar e a felicidade plena.
E nós duas sabemos que felicidade plena se existe, é algo quase inatingível, pois como disse já uma vez pra ti, o ser humano tem tendência a nunca se satisfazer com o que tem, sempre quer mais e mais e mais. É a ganância, é o que nos move. Como estudei no meu curso de administração em recursos humanos, se você tem um empregado que já está no mais alto cargo da empresa em que lhe é permitido subir, ele não terá mais nada pra motivá-lo, pois já estará no topo e seu rendimento pode vir a cair. Bom, alguém tem que estar no mais alto topo da empresa, não é mesmo? Mas enfim, nós seres humanos precisamos sempre querer mais pra termos objetivos pra nossa vida fazer sentido e acho que se as coisas nunca estão como queremos, então sempre estarão desalinhadas, ou não.

Mas devo dar minha mão à palmatória e concordar com você que o desalinho é importante, sim. Sem a dor, não há o que se melhorar e sem ter o que melhorar, então não há nada fazer, sendo assim, acabou? É o que parece. Quem gosta de não ter nada pra fazer? Estamos todos na busca da paz e felicidade plena, mas sem problemas, dores etc, não haveriam paz e felicidade, afinal, o que as fazem existir é justamente seus opostos. E acho que tudo depende de nós, o que desejamos pra nós mesmos nessa vida. Por hora, eu tenho meus desejos e objetivos, mas tenho certeza que depois de alcançá-los, terei outros e outros e outros e não sei se chegarei ao topo, não digo isso por pessimismo, mas digo porque sei que sou movida pela ganância que sempre me faz desejar mais.

Mas não veja como uma ganância ruím, capaz de tudo pra alcançar os meus desejos. Não, uma ganância boa, aquela que nos move, nos faz sempre caminhar e buscar o melhor, afinal, estagnar em um estágio é parar de viver. Ao menos assim penso eu.

Quanto a manhã... concordo, quando vemos a realidade e a minha nova manhã chegou. Não há como afundar mais. Como disse uma amiga pra mim "a gente afunda, desce, mas chega uma hora que só dá pra subir". Não cheguei tão fundo. Sou muito crítica quanto ao meu próprio sentimentalismo pra me deixar afundar por coisas que sei que são passageiras. Tudo passa. Não passou ainda, mas vai passar. É só eu querer, depende inteiramente de mim e eu quero. Não vou perder meu tempo com fatos que podem simplesmente ser deletados da minha vida. Dolorido? Sim, será, mas toda dor com o tempo vai embora, senão for, sempre há remédios para tal. Mas me permito à uma nova manhã e uma nova esperança, pois é o mais inteligente a se fazer.

A persistência nem sempre é a nossa melhor amiga, tudo tem que ser comedido nessa vida e tudo depende dos fatores. E a partir de hoje só persistirei no que for de valia pra mim. Já aprendi com a minha dor, eu aprendo rápido, não gosto de insistir no que me machuca, não sou masoquista.

Quanto à realidade... como disse, é minha melhor amiga e acredito que sua também e um brinde à ela. Que não nos engana nem ilude.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Teoria do Caos

"Esta teoria estuda o comportamento aleatório e imprevisível dos sistemas, mostrando uma faceta onde podem ocorrer irregularidades na uniformidade da natureza como um todo. Isto ocorre a partir de pequenas alterações que aparentemente nada têm a ver com o evento futuro, alterando toda uma previsão física dita precisa."

Sinceramente, desalinhar é uma das únicas coisas absolutas que conheço. Eu acho, e a maldita física confirma, tudo tende ao caos, tudo tende à destruição. Por que não nossas vidas? Nossas personalidades, nossos amores e nossas amizades? É normal ser caótica. É até interessante.

Imagina que tedioso uma pessoa em equilíbrio!

Claro, as vezes o desalinho é doloroso, aí concordo: organizar é melhor. Mas só quando é muito doloroso, porque mesmo as dores nos fazem aprender algo, são necessárias. Uma vez eu ouvi uma ótima frase: "As pessoas querem ser invencíveis, não sentir dor alguma, e esquecem que a dor está lá por uma razão; nos avisar que tem algo muito errado."

Não somos super-heroínas, Di. Nunca vai haver um relacionamento perfeito, não sonhemos com príncipes em cavalos brancos. As vezes tem um ótimo Shrek bem ao seu lado, se me perdoa a alusão barata. Não que ele seja conveniente, aquele topa-tudo sempre ao alcance da mão. Ele é o que nos fará mais feliz (e, caso tenhamos sorte, sabe os seus caminhos por nós, se é que você me entende), e isso, Meu Deus, é mais do que o suficiente!

E não se faça de cega, não se faça de cega nunca, porque há dois tipos de pessoas más no mundo: aquelas que fazem coisas ruins, e aquelas que vêem coisas ruins sendo feitas e não fazem nada pra pará-las (qual desses tipos somos?). Não se faça de cega pra nada, nem pra si mesma. Aliás, muito menos pra si mesma, é o pior tipo. Quando finalmente acordamos, é triplamente chocante, acredite. Gosto da minha azeda autocrítica, é uma maneira de viver sem muitas arritmias.

E a manhã, pra mim? A manhã tem o dom de amortecer, de anestesiar, ela tem gosto de esperança, mesmo que a esperança não seja assim uma coisa tão boa, as vezes. Sim, porque, em boa parte do tempo, o melhor é o que está a sua frente, concretizado, do que um futuro distante e branco, como aquelas nuvens carregadas que eu sei que vão desabar um dia, mas que no momento me parecem tão, tão distantes... quero que venham logo, seja para o bem ou para o mal, decidam-se, que inferno! Somos duas esperando que o tempo passe rápido. Aliás, somos duas em quase tudo.

Sou a principal causa dos meus problemas, eu sei que sou. Mas há coisas que, como você disse, não são manipuláveis, mas a não ser que ocorra uma tsunami ou um aneurisma aqui e agora, ainda temos a chance de mudar alguma coisa, porque nós somos donas do nosso destino, e isso não é uma dor, é um privilégio que várias pessoas não tem. Nós temos sorte, nós temos a chance de ser desalinhadas.

Que mundo ideal que nada, estou vivendo um momento em que posso apreciar completamente a realidade. Não que ela seja a melhor de todas, muito pelo contrário, a minha gastrite nervosa não me deixa afirmar tal coisa. Mas é que eu passei incompletos 17 anos de minha vida sonhando, exauri meu estoque, acabou, over, finito!
Desalinhar: desviar do alinhamento, desarrumar; tirar o alinho, a compostura; desarranjar; desenfeitar; desadornar.

Lá, estou com um novo lema: Desalinho sua vida com maior prazer! Mas não desalinhe a minha.

Egoísta eu? Não, só querendo mudar o jogo da minha vida.
Eu poderia dizer que minha monotomia, essa minha ilusão de que tudo está em seu devido lugar, ou no lugar que eu desejava que estivesse me mantinha numa felicidade conformada e olha que detesto conformismo, mas tem certos assuntos que me abstenho das ousadias e por que não dizer ganância se insisto em atingir o inalcançável? Mesmo sem saber a altura do que estou querendo, eu quero o inatingível. E odeio essa minha mania de sempre ir pro lado mais difícil onde acabo me afundando no poço e tudo se desalinha.
Digo, se desalinha não. Já estava desalinhado, eu que preferi me fazer de cega e não perceber. Sim, me fazer de cega, isso mesmo que você leu.
Di, a realista, a durona, a maquiavélica, calculista que se acha esperta pra enfrentar o mundo se fazendo de cega porque enchergar a realidade doeria bastante.
Só que estupidamente esqueci que a realidade se mostra sozinha e por mais que disfarcemos as imperfeições do nosso "planeta perfeito" apenas com defeitos que nos são convenientes enchergar durante a noite, a manhã chega e se mostra dura iluminando tudo de errado que nos aflige e insistíamos em ignorar.
Do que estou falando? Do mundo que definitivamente não gira ao meu redor, nem um pouquinho nem por um segundo sequer e parece se divertir jogando comigo.
Não estou me fazendo de vítima do destino, até porque não acredito em destino, só abrindo os olhos pra realidade que há muito eu preferia ignorar e que me fez desabar completamente.
Mas como diz minha mãe: tudo é questão de tempo e o tempo de tudo cuida. - Só espero que esse tempo não demore.
Sim, Lá, eu sei que temos que correr atrás pra alcançarmos nosso mundo ideal, mas infelizmente não tenho controle sobre tudo e tenho que me acostumar a viver nesse desalinhamento.
Pena que nem tudo é manipulável.