terça-feira, 9 de outubro de 2007

Felicidade plena - mais uma utopia?

Eu juro que queria escrever um texto que quebrasse toda esse rítimo melancólico ou revolucionário (ou seria revoltado?) que esse blog tem seguido, mas hoje não estou no meu melhor humor.

Tava lendo o texto da Lá no blog dela e pensei no que você, lindinha, disse em relação à procura da felicidade plena e coisas do tipo e como vivemos atrás do que é utópico. O fato é que realmente pensar que existe algo melhor, um topo a ser alcançado dá sentido à vida. E quando a vida não faz mais sentido? Ou acabamos com ela ou tentamos melhorar. Existem vários recursos, porém acho que na nossa atual sociedade onde a pressão é praticamente constante, o tempo parece correr e temos que fazer tudo mais rápido, o que faz parecer que nunca há tempo pra nada, os objetivos, sejam quais forem, parecem mais difíceis de serem alcançados pois as exigências aumentam e num mundo tão lotado como o nosso muitas vezes passamos desapercebidos e encolhidos no nosso canto quando não é isso que desejamos. Uma das soluções: ilusão.

Seja por anti-depressivo que nos faz sentir melhor, mas também pode causar dependência, pois eu não acho que ele solucione alguma coisa, é apenas um efeito temporário e isso é palavra de quem já tomou e toma tais remédios. Seja se enterrando no computador, assistindo tv sem parar, dormindo direto, ou se escondendo atrás de livros, festas, drogas etc. Há várias formas de disfarçar vazios, sofrimentos e dores, seja mantendo nossas mentes ocupadas ou fazendo algo que gostamos e fingindo sermos felizes.

O que é importante afinal? Seu diploma da faculdade? Mestrado? Um emprego com ótimo salário pra ter uma vida estável, ou um que tenha grana pra gastar com tudo que deseja e mais um pouco? Trabalhar no que se sente bem mesmo que não ganhe muito? Ou ganhar muito trabalhando em algo ou em um local que não goste? Viver sozinho longe de todos pra alcançar sua meta? Ou sacrificar seus objetivos e desejos pra ficar perto de quem ama? Tudo uma questão de prioridades, tudo uma questão de escolha pois nem sempre e acho que na maioria das vezes, podemos ter mais de uma coisa ao mesmo tempo.

E quando não se tem objetivos? O que é pior? Não tê-los ou tê-los e se não alcançados sentir a frustração? Ás vezes o primeiro parece mais confortável que o segundo, porém não acho que somos seres que consiga simplesmente viver por viver. Eu sinceramente amaria conseguir viver por viver. Me satisfazer por estar apenas com saúde e conseguir passar um dia de cada vez. Mas… será que a vida sem objetivos, sem metas tem algum sentido? Eu acho que não. Então talvez a felicidade plena seria a capacidade de se sentir satisfeito com o que se tem, mas isso muito parece com o conformismo. Então isso a torna mais uma utopia entre tantas. É, Lá, tenho que concordar com você.

Pra mim não há uma felicidade total, pois creio ser do ser humano nunca se sentir satisfeito. Sempre ter algo mais além a alcançar, sempre querer mais do que tem e isso que nos motiva, somos assim, queremos satisfação pessoal e quando alcançamos esse topo, já temos outro pra ser alcançado ou tudo se torna vazio.

Isso nos faz parecer tão tolos! Pois se não fôssemos sempre tão ambiciosos, sempre tão insatisfeito com que já temos e conseguimos, talvez encontrássemos a felicidade plena e pensando assim parece apenas uma questão de escolha, mas então… por que ela parece tão inatingível? Ou talvez sejamos estúpidos demais pra percebê-la e/ou sentí-la. Quem sabe nesse esquema de vida e sociedade que montamos fizemos uma definição de felicidade tão deturpada que criamos uma armadilha de insatisfação pra nós mesmos.

Eu apenas queria que tudo fosse mais simples.

Talvez precisamos nos reinventar. Mas isso é só mais uma utopia a ser acrescentada na lista.

P.S.: Desculpem quebrar a ordem das postagens, mas como ninguém mais estava postando aqui eu me dei à liberdade.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Liberdade, liberdade de expressão, liberdade de pensamento, credo, liberdade pra viver. Vocês duas estão revolucionárias, pois bem. Venho eu acalmar os ânimos. Vocês já pensaram no quão abrangente a palavra "liberdade" é?

Eu também. Na verdade, penso sobre ela todos os dias. Eu não acredito em um mundo pacífico, não creio que a humanidade vá chegar a esse estágio algum dia, é contra todas as leis da natureza. Tem que ter seleção natural. Tem que ter a morte pra exaltar a vida. Tem que ter o ódio pra existir o amor. O mundo é polarizado, é feito de opostos, matéria, antimatéria, blá blá blá. Então, pra existir liberdade, tem que existir sufocamento. Prisão. Mental ou não.

Religião, por exemplo. É um tipo de sufocamento, acredite, acredite no que eles digam, creia em um livro escrito há dois mil anos atrás, por pessoas que nem sabemos se eram honestas, Deus existe, está ao seu lado, mas você precisa ir à igreja ao menos uma vez na semana, e todas essas coisas contraditórias que vemos por aí. Mas, quem irá de levantar a mão lá do fundo da nossa platéia, Lola, e dizer que religião é ruim? Várias pessoas, provavelmente, mas a multidão não confirma, religião faz muito bem às pessoas ou, pelo menos, tem mais coisas boas do que ruins, na maioria das vezes.

Essa é a grande contradição da liberdade. Liberdade demais... não funciona. Longe de mim apoiar ditaduras, acho também que elas foram um grande abismo da sociedade, e eu sei que eu sou conformista, por exemplo, e que isso é um grande, grande defeito meu. Mas não vamos atirar pedras sem pensar em quem atiramos. Eu ponho em uma balança, e o que pesa mais é que dá o veredicto.

Nunca pensei que seria essa pessoa muito ponderada em minhas decisões, mas agora vejo que a ponderação é uma fórmula antiga e de muito boa procedência, usada e aprovada por gerações. Ponderação, sim. Sempre? Não. Definitivamente não. Mas ela pode te tirar de alguns apuros, como um corte de cabelo horrível. Ou uma briga com pessoas que são importantes na sua vida.

Parto do princípio que todo ser humano é inocente, até que se prove o contrário, e muitas vezes se prova o contrário. Publicamente. Vergonhosamente. Inúmeras vezes me vi decepcionada com pessoas que eu poderia jurar que eram "inocentes". Agora sinto a angústia de me acostumar com isso.

Me acostumar a escândalos na política. Dos políticos, roubo na merenda escolar, superfaturamento de shows, venda de almas. Internos, enganar o imposto de renda, falar mal da vida alheia, julgar antes de saber todos os fatos, preconceito, avareza... e por aí vai. Me diz, não é uma liberdade nossa ter os defeitos que quisermos?

Sei que, como já disse antes, defeitos nos fazem ímpares. Eu enchi o peito de orgulho por alguns de meus defeitos. Oh, bem, todos erramos. Não acho meus defeito nem remotamente uma razão pra orgulho. Não acho que levantar a bandeira da liberdade para tudo seja a solução. Ela não é um refúgio para todos os problemas. A nossa liberdade acaba onde começa a do próximo. E se esse próximo for bem próximo, ultrapassar esse limite pode ser mais destrutivo do que o usual.

Não sei se vocês entenderam, meninas. Mas espero que sim. E, Lola, seja muitíssimo bem vinda a nossa tentativa de desalinhar elegantemente. Desalinhar é lifestyle! :D (y)

domingo, 8 de julho de 2007

O conformismo e a Censura são amiguinhos.


Hoje eu tô confusa, meninas. Não confusa sem saber o que fazer, mas com idéias que se apresentam de forma desorganizada e confusa na minha mente e que tentarei, mas não sei se conseguirei ordená-las.

Primeiramente quero dizer à Lola que é com muito prazer que a convidamos pra fazer parte dessa troca e confusões de idéias onde, como ela mesma disse, os inconformados se expressam. E tira esse sorriso amarelo da cara. =P~

Pois bem, hoje o nome do blog cabe muito bem ao meu texto, pois mesmo eu não sendo uma adivinha, cartomante ou qualquer coisa parecida, já sei que ele vai ficar um desalinho só. Mas vamos prosseguir que talvez eu consiga transmitir o que desejo.

Eu não pensava em escrever sobre esse assunto tratado por você, Lola, contudo hoje eu li em um livro algo que me deixou pertubada e que me faz escrever tais palavras.

Não sou nenhuma futura jornalista e não sei dizer se está no meu sangue e no meu forte temperamento, ou simplesmente porque fiz parte da equipe de jornal dos dois últimos colégios que estudei e o último no meu terceiro ano do ensino médio, estava tendo tanta censura e tanta hipocrisia por parte da diretoria, que eu juntamente com a equipe do jornal e mais alguns leitores apoiados pela maioria dos professores fizemos um protesto à censura. E talvez isso explique porque abomino a falta de liberdade de expressão.

Mas tanto faz, isso é mero detalhe não importante para o contexto, pois independente disto, não mudo minha opinião sobre este fato.

E hoje se as pessoas pensam que vivem em uma época onde a liberdade de expressão é completa, me desculpe te desiludir, mas engana-se.

Por que será que jornais independentes com idéias revolucionárias não são facilmente encontrados como o jornal O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, que grande parte da população lê todos os dias? Ninguém nunca parou pra pensar que a maioria dos meios de comunicação nada mais é que uma forma de manipular a massa pra pensarem e fazerem exigências em favor de empresas e pessoas poderosas, onde só elas serão beneficiadas?

Por essas e outras que acho que todos deveriam estudar ciências políticas, encônomia e principalmenter história, mesmo que soe hipócrita de mim que não gosto de estudar história, mas admito que é obrigação de todos conhecê-la.

Mas voltando ao assunto censura. Eu não vou entrar no ocorrido da época da ditadura militar porque isso todos já sabem ou deveriam saber e no mais, é passado para nós brasileiros. Eu quero mesmo é falar de hoje, agora, dia 8 de julho de 2007 às 17:45 horas.

São pequenos detalhes escondidos ali e aqui, ou grandes detalhes muito bem disfarçados como dei exemplo dos grandes jornais e dos revolucionários que de grandes nada têm. Mas... essas coisas começam disfarçadas dentro de casa já quando te proíbem de expressar suas idéias sobre um determinado assunto, na escola quando não se pode falar sobre algo e até mesmo nas mais simples coisas que parecem bobagens mas não são e vamos engolindo, deixando passar, ficando quietos e assim quando nos damos conta estamos no conformismo e tão aceitados a ficar calados que não expressamos mais nada, não fazemos exigências e somos nada mais que simples marionetes comandadas por outros e que não expressam suas idéias e insatisfação.

Eu chamo conformismo de doença e acho a censura nada mais que resultado de nossas próprias atitudes. E eu muito aprecio as pessoas que "desapareceram" na ditadura porque não se curvaram diante de tal governo e muito me envergonho do silêncio que nos tem acometido atualmente.

"(...)Claro, meu filho! Mas se acalme! Os padres, hoje, são mais católicos e cristãos do que o próprio Jesus Cristo! Assim como os peripatéticos são mais aristotélicos do que o velho sábio grego. A moda, hoje em dia, é parar de pensar. Fecharam nossos cérebros, limitaram nossos horizontes, nos encurralaram no poço do passado porque assim se faz necessário. Vivemos numa época de estagnação, de paralisação intelectual. (...)"

(Coleção Os Homens que mudaram a humanidade, Galileu Galilei, Editora Três, pag 69-70, palavras de Mazzoni)

O irônico que esses problemas não são atuais e o pior que continuamos calados, continuamos a nos comportar concordando com que nos é dito sem pararmos pra pensar direito no que nós mesmo dizemos, porque fomos educados a não pensar, não formar idéias, não ir contra a maioria, simplesmente aprendemos a ser conformados e a censura está aí, como prova de nosso conformismo.

Eu sinceramente me envergonho da nossa atual situação, fico inquieta e que me desculpem aqueles que se chateiam com minhas atitudes, mas não vou me calar diante do que acho errado, não vou aceitar o que me incomoda e chateia, eu não vou me entregar ao conformismo mesmo que ele muitas vezes pareça mais confortável, pois pra mim isso é como caminhar na direção do abismo, é deixar que tirem de mim meu livre arbítrio e não vou ser mais uma prisioneira da cegueira e hipocrisia nem servir de marionete para beneficiar apenas terceiros.

sábado, 7 de julho de 2007

A arte de se inconformar
Chego. Com a mesma desenvoltura de um mimo, abro com cuidado uma gaveta invisível: pucho o ferrilho e deposito meu texto com o cuidado de deixá-la entre-aberta. Jamais fechada. Sou a terceira passageira a embarcar nesta viagem.
Sim, porque este blog é uma viagem na qual nunca sabemos onde vamos parar.
Quando a Lá me convidou tardiamente a fazer parte do Desalinhando veio aquele sorriso no rosto de quem nao tinha sido convidada antes e a pergunta de se a regra do fórum era escrever textos dramáticos observando as metades dos copos mais vazios da vida. Ela me respondeu que nao necessáriamente. Mas no fundo, acho que nao , Lá. E sabe porque?
Todos os textos aqui sao inconformistas. O meu, o seu, o dela e os nossos. E o dos amigos nossos, os dos que nao sao tao amigos e os dos que nao sao e nunca vao ser.
Me explico: acredito que todo escritor é um inconformista. Ou inconformado, - além de inconformista, sou semi-analfabeta e contrária a procurar dicionários neste lapso de insonia as 3 da manha - nao sei.
Fundamentar minha tese é fácil: basta com dizer que se nao estivesse inconformado(decidi que esta é a palavra certa), o escritor nao escreveria. Entao alguém do fundo da platéia grita: mas e se for um texto que divague sobre a felicidade plena?
É entao que eu digo: - Bem, meu caro, se nao estivesse inconformado com o fato de nao haver um texto sobre felicidade plena que o satisfaça, ele nao escreveria algo que represente, na medida certa, o que ele quer. Nao acha?
Enfim, reitero: todo escritor seja ele um escritor de verdade ou um menino aprendendo a escrever é um inconformista(e eu sou indecisa quanto a palavra, sim, eu sei.) porque sentiu a necessidade de expressar. Sentiu que ainda nao escreveram um bom texto sobre o que ele quer escrever. Sentiu a necessidade de escrever aquilo que quer escrever. Mesmo que seja sobre a felicidade, o escritor escreve sobre ela para dar seu ponto de vista.
Talvez seja algo mais banal como escrever só porque se sente inconformado diante de uma folha branca, o principal desafio de um escritor.
E se passarmos este assunto ao fato de que sou futura jornalista(acredite se quiser), escrever vai ser o meu ganha-pao - do jeito que estou indo, vou ter que roubar pra viver, nas horas vagas. É, talvez eu me dedique mesmo a política... - e ser inconforme vai ser a minha força-motriz. E meu principal inimigo vai ser a censura.
Tanto a censura que as vezes me auto-imponho quanto a censura externa, sendo esta última um agravante na sociedade. Neste século, por exemplo, teve grande importância nos países que sofreram ditaduras. Sou bem apolítica porém o fato de nao poder expressar aquilo que sinto me deixa inconformada. Seja na escrita, na voz, na música ou qualquer ato de comunicaçao, a censura é o grande mal de qualquer inconformado. E por incrível que pareça ela está por aí, ronda esquinas e ruas à espreita de suas novas vítimas.
Aqui no Chile mesmo aproximadamente 17 anos depois do período militar eu presenciei um forte ato de censura na minha universidade no qual uns murais artistícos feitos por alunos da faculdade de humanas(em sua maioria, esquerdistas) foi apagado durante as férias. Isso causou extrema repulsa da comunidade universitária que acusou o nosso reitor de ditador por mandar apagar os murais e pôr grades na universidade só porque os murais tinham imagens que iam contra as políticas da universidade(guerrilheiros, armas, Che Guevara e etc...).
Reitero: sou apolítica e o que resgato desse fato é que acima de tudo os muros eram uma expressao artística de um grupo de pessoas independente de seu conteúdo era um bonito trabalho e uma lembrança que ficaria para as geraçoes mais novas afinal nao adianta tentar matar isso na UFRO e nem no Chile: a tinta ainda está fresca demais e o ressentimento ainda é tao forte que é impossível nao notá-lo.
E nao só isso. Talvez a censura que mais dói é aquela que veem de quem voce menos espera. Mais do que impotencia é um soco bem dado no estômago que deixa aquela sensaçao de choque. Talvez nao só a censura mas também alguma atitude do tipo. Talvez a pessoa nao tem conhecimento que feriu com seus atos porém eu acredito que toda pessoa, conforme ou inconforme, escritor ou nao, seja lá qual for sua visao sobre qualquer assunto, tem que saber como se expressar de maneira a saber respeitar pontos de vistas diferentes. E as vezes nao é o que se diz o que incomoda e sim a forma. Eu acredito que a forma é tudo. Eu nao me importo que você venha me dizer que eu sou uma idiota metida-a-besta se você o dizer de uma forma na qual eu possa aceitar a crítica e tentar melhorar - nao o fato de melhorar e ser mais idiota, porém...Ah, voce entendeu...- se puder. Eu aceito críticas desde que sejam bem ditas. Nem que utilize eufemismos mas acredito que se aprendessemos a expressar o que queremos de uma forma correta, muitos mal-entendidos e problemas na comunicaçao seriam evitados.
Enfim, sou inconforme com isso aí também e o fato de ser censurada por alguém que amo e que nao espero que o faça dói e muito. E eu nao desejo isso à ninguém. Desejo que amigos façam críticas e sejam bem sinceros porém em quanto a censurar minha opiniao de forma ditatorial é algo que nao aceito porque sou jornalista e é uma qualidade innata da profissao ser contra a censura. É como o médico e seu bisturi ou um engenheiro e sua calculadora científica.
E bem, isso é tudo o que eu queria expressar porque estava com este nó de disconformismo(mais outra indecisao) preso na garganta. E pra finalizar, deixo um texto com as palavras de um grande autor(cujo nome nao lembro as 4 da manha, sorry):


"(...)Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas."


E serás respeitada(o) também.

sábado, 30 de junho de 2007

I'm not brave enough to face the things
That I know are wrong with my life
So I blame you

And you're the first one to go

(Brandy Carlile - Last To Know)

Dá um aperto no peito. Diana, você também tem um aperto no peito de vez em quando? Você também sente como se quisesse que seu coração fosse viajar, por uns tempos, por uns segundos, então, que seja, apenas... apenas quer que ele vá! Pra aí conseguir dormir em paz? Pra conseguir pregar o olho sem aquela bigorna acme em cima de você?

É isso que acontece quando começamos a olhar em volta. Quando começamos a perceber o quanto somos cercados de pessoas idiotas, o quanto elas não se enxergam, argh! Estou com raiva, madrinha, com raiva das pessoas que fazem da minha vida tão difícil. Estou com raiva, porque eu percebi que não importa o ângulo por que olho o que acontece comigo, tem coisas que realmente não dá pra aguentar. Não dá pra ser Pollyana o tempo todo.

Eu sempre fui muito desbocada, tia. Acho importante falar o que penso, ser ouvida, mesmo que não dêem muita importância para o que digo, eu grito até eles escutarem. Gosto disso. Mas não estou me reconhecendo. Estou intimidada. Me deixei intimidar, sucumbi! Eu estou recuando, estou desistindo, estou me encolhendo! Estou deixando que essas pessoas estraguem minha vida. É normal virar covarde com o passar dos anos?

É que algumas coisas, infelizmente, estão totalmente out of our hands. Não dá pra controlar. Ou é isso que eu estou constantemente dizendo a mim mesma. Não é minha culpa, não sou eu, não dá, não posso, não consigo, depois, depois, deixe isso pra lá, não tem nada não. E tudo vai indo do mesmo jeito, com o esse sofrimento latejante.

E as cicatrizes verdadeiramente profundas não fecham, nunca, nem são esquecidas. O tempo nem tudo cura, por mais que eu espere que sim. E ambas temos cicatrizes profundas, estou certa? E acho que você encara a vida de um jeito mais positivo do que eu, você vê a metade cheia do copo. Eu vejo a vazia, e ainda penso que a água que está lá é infectada.

O texto está meio confuso. Mas é assim que estou agora. Tentando exprimir algo tão, tão forte, que eu teria que baixar a Clarice Lispector em mim.

Mas a dor persiste. E a vontade é de afogar.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nós somos como borboletas, com algumas diferenças, entre elas, que passamos por mais de um processo de evolução.

Nascemos e quando saímos de nossa mãe, somos um dos seres mais estúpidos do planeta. Não sabemos falar, não sabemos andar, não podemos mastigar e apenas dormimos, choramos, fazemos sujeiras na fralda etc.

Mas com o passar do tempo evoluímos e aprendemos tudo isso, vamos adquirindo nossas experiências e absorvendo conhecimentos, ainda com uma visão muito inocente do mundo.

Chega a hora de irmos para o colégio e mais uma experiência, a do aprendizado forçado e com responsabilidade, a convivência com outras crianças, muito mais amiguinhos do que estamos acostumados e cada um com sua personalidade e característica própria. Começamos com muita dificuldade, ou não, a aprender que devemos respeitar as diferenças existentes nas pessoas.

Vem a adolescência e junto com ela a mudança hormonal e alterações no corpo, mais drástico ainda se tratando das meninas, temos que aprender a nos acostumar com novos desejos, com as alterações que ocorrem conosco por dentro e por fora.

Na adolescência também podemos passar pela fase rebelde sem causa, não muito bem justificada onde por alguma razão odiamos boa parte da população, principalmente os adultos.

Depois dessa fase complicada (e põe complicada nisso), onde vivemos as mais diversas alterações sejam psicológicas, sejam físicas, em que aprendemos ou nos acostumamos a nos relacionar com as pessoas nas mais diferentes formas, achando o próximo cada vez mais complexo.

Chegamos na fase adulta e incrivelmente desejamos voltar pra infância ou adolescência, esquecemos tudo que era complicado, até porque já entendemos o que acontecia e apenas queremos voltar à fase de não ter responsabilidades além dos estudos e passar o dia todo se divertindo. Mas o tempo não pára e temos que ir em busca da nossa independência, sair das asinhas dos pais, amadurecer e cair no mundo, assumindo responsabilidades e enfrentando os problemas do dia-a-dia, a selva fabricada por nós mesmos.

Depois casamos e assim vai...

Cada fase tem sua magia, cada fase tem sua dificuldade e temos que aprender a nos dar com todas. Nem uma é mais difícil que a outra, apenas são diferentes e temos que enfrentar cada uma delas, faz parte do processo e todos os seres da natureza enfrentam suas fases, claro que com suas diferenças, mas todos passam pelas dificuldades de sua espécie e se um grilo enfrenta as dificuldades da natureza cercado de predadores, por que nós não conseguiremos? Nós que somos seres racionais.

Mas voltando à borboleta... ela pode se envolver em um casulo e sair quando está preparada, após terminar sua transformação, uma vantagem que não temos. Mas, somos capazes de pensar, de amadurecer, aprender e nos preparar pra enfrentar a nossa fase e vivermos nessa contínua evolução, vencendo os desafios que nos são impostos.

Lá, assim que a vida funciona, o mundo não gira ao nosso redor como você já sabe e o tempo não espera, mas somos inteligente e capazes de evoluir, de aprender e transpassar cada momento, cada dificuldade que a vida nos impõe.

Vamos ter força amiga, dúvidas fazem parte da vida, dificuldades e desafios todos têm, a diferença está em como enfrentamos tudo isso.

sábado, 26 de maio de 2007

Caótica Apostática Romana

Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo.
(E não nos deixe cair em tentação: mas livrai-nos do mal.)

Eu não acredito mais em Deus. Já tinha te contado isso? Bem, pode se espantar, mas a verdade é essa mesmo, ainda estou na fase de aceitação, tomara que a tal "paz ateísta" venha logo. Agora, o que eu menos tenho é paz.

Eu queria acreditar em Deus. Queria mesmo. Mas depois de um tempo parece tão irracional. Não sou mais romântica. Não é plausível que exista Deus, e ainda assim estou escrevendo seu nome com inicial maiúscula. Tenho respeito por quem acredita, acho que tenho até uma certa inveja, elas se apóiam em algo, afinal. Em que eu me apóio? Em que nós, os ateus, nos apoiamos? Se é pra ter apoio em mim mesma... eu passo.

Foi preciso que eu fosse a um grupo de jovens pra ver que não acreditava em Deus. Eles estavam cantando, louvando, adorando, chorando... e eu me concentrando, tentando me emocionar, tentando não julgar tudo o que diziam, as palestras, as pessoas. Nada daquilo tinha significado pra mim. Eu procuro por verdades mais profundas. E Deus é uma coisa que você inventa quando precisa de favores.

Um dia, pode ser que eu engula minhas próprias palavras. Pode ser que eu morra e me arrependa de não ter sido cristã. Mas o próprio cristianismo me confunde. Como pode só um grupo seleto de pessoas chegarem ao so called reino dos céus? E a menina muçulmana que nasceu no Paquistão, foi criada daquele jeito, e não sabe nem quem é o papa? Ah, mas dizem que é o mesmo Deus.

Estudando história, biologia, química, matemática e a toda-poderosa física, vendo as desgraças do mundo, vendo a pobreza, a fome, a injustiça, a roubalheira, vendo o ser humano, qualquer um na rua, isso só me prova que Deus não existe. Eu quero acreditar, eu juro que quero, eu juro de pés juntos que quero! É essencial que você entenda isso, Di.

Esse é um assunto delicado. Cada um tem a sua religião, mas eu simplesmente não tenho religião nenhuma. Eu tenho meus alter egos. Eu tenho a minha consciência. E eu espero profundamente não precisar da igreja pra me dizer que devo fazer o bem. É a convivência, é o homem lutando contra a entropia e, ultimamente, perdendo. Igrejas foram criadas para limitar as pessoas. E limitar no BOM SENTIDO, LIMITAR É ÓTIMO, limitar faz desse mundo habitável, faz das pessoas mais comedidas, apazigua as dores. Eu levanto a bandeirinha pra limitação.

Mas, no momento que não preciso disso pra fazer o bem, me desligo de toda e qualquer igreja. É como se eu dissesse "ok, eu já sei o que fazer e já aprendi o que vocês nunca se preocuparam em ensinar. graduei." E fosse porta afora, e me preocupasse com coisas maiores.

Não concordo com zombaria que vários palestrantes utilizaram como modo de nos convencer de que estávamos na igreja certa. É engraçado ser hare krishna? Pra eles não é, pra eles é uma coisa séria e, sinceramente, só porque eles acreditam que pessoas reencarnam em plantas, acreditam piamente nisso, é justo que eles sofram a danação eterna? Se eles fazem o bem, se são caridosos, se acham que fazer aquilo é o melhor pra eles e pra humanidade, meu Deus, o que há de errado neles?

Engraçado como possa parecer, converso muito frequentemente com "alguém", uma pessoa imaginária que tudo sabe e tudo vê, e me dá ótimas dicas, ótimos conselhos. Ultimamente, ando chamando essa pessoa de consciência. E quero chamar de Deus de novo. Quero acreditar que há alguém lá fora olhando por mim, que tudo o que acontece é por uma razão que futuramente se explicará, e não somente o acaso e as leis da física.

Di, dona católica fervorosa (?), me ensina?