Liberdade, liberdade de expressão, liberdade de pensamento, credo, liberdade pra viver. Vocês duas estão revolucionárias, pois bem. Venho eu acalmar os ânimos. Vocês já pensaram no quão abrangente a palavra "liberdade" é?
Eu também. Na verdade, penso sobre ela todos os dias. Eu não acredito em um mundo pacífico, não creio que a humanidade vá chegar a esse estágio algum dia, é contra todas as leis da natureza. Tem que ter seleção natural. Tem que ter a morte pra exaltar a vida. Tem que ter o ódio pra existir o amor. O mundo é polarizado, é feito de opostos, matéria, antimatéria, blá blá blá. Então, pra existir liberdade, tem que existir sufocamento. Prisão. Mental ou não.
Religião, por exemplo. É um tipo de sufocamento, acredite, acredite no que eles digam, creia em um livro escrito há dois mil anos atrás, por pessoas que nem sabemos se eram honestas, Deus existe, está ao seu lado, mas você precisa ir à igreja ao menos uma vez na semana, e todas essas coisas contraditórias que vemos por aí. Mas, quem irá de levantar a mão lá do fundo da nossa platéia, Lola, e dizer que religião é ruim? Várias pessoas, provavelmente, mas a multidão não confirma, religião faz muito bem às pessoas ou, pelo menos, tem mais coisas boas do que ruins, na maioria das vezes.
Essa é a grande contradição da liberdade. Liberdade demais... não funciona. Longe de mim apoiar ditaduras, acho também que elas foram um grande abismo da sociedade, e eu sei que eu sou conformista, por exemplo, e que isso é um grande, grande defeito meu. Mas não vamos atirar pedras sem pensar em quem atiramos. Eu ponho em uma balança, e o que pesa mais é que dá o veredicto.
Nunca pensei que seria essa pessoa muito ponderada em minhas decisões, mas agora vejo que a ponderação é uma fórmula antiga e de muito boa procedência, usada e aprovada por gerações. Ponderação, sim. Sempre? Não. Definitivamente não. Mas ela pode te tirar de alguns apuros, como um corte de cabelo horrível. Ou uma briga com pessoas que são importantes na sua vida.
Parto do princípio que todo ser humano é inocente, até que se prove o contrário, e muitas vezes se prova o contrário. Publicamente. Vergonhosamente. Inúmeras vezes me vi decepcionada com pessoas que eu poderia jurar que eram "inocentes". Agora sinto a angústia de me acostumar com isso.
Me acostumar a escândalos na política. Dos políticos, roubo na merenda escolar, superfaturamento de shows, venda de almas. Internos, enganar o imposto de renda, falar mal da vida alheia, julgar antes de saber todos os fatos, preconceito, avareza... e por aí vai. Me diz, não é uma liberdade nossa ter os defeitos que quisermos?
Sei que, como já disse antes, defeitos nos fazem ímpares. Eu enchi o peito de orgulho por alguns de meus defeitos. Oh, bem, todos erramos. Não acho meus defeito nem remotamente uma razão pra orgulho. Não acho que levantar a bandeira da liberdade para tudo seja a solução. Ela não é um refúgio para todos os problemas. A nossa liberdade acaba onde começa a do próximo. E se esse próximo for bem próximo, ultrapassar esse limite pode ser mais destrutivo do que o usual.
Não sei se vocês entenderam, meninas. Mas espero que sim. E, Lola, seja muitíssimo bem vinda a nossa tentativa de desalinhar elegantemente. Desalinhar é lifestyle! :D (y)
segunda-feira, 9 de julho de 2007
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Um comentário:
"A nossa liberdade acaba onde começa a do próximo.
E se esse próximo for bem próximo, ultrapassar esse limite pode ser mais destrutivo do que o usual."
Se todos seguissem isso a vida toda, tudo seria mais simples e menos hipócrita não acha?
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