terça-feira, 9 de outubro de 2007

Felicidade plena - mais uma utopia?

Eu juro que queria escrever um texto que quebrasse toda esse rítimo melancólico ou revolucionário (ou seria revoltado?) que esse blog tem seguido, mas hoje não estou no meu melhor humor.

Tava lendo o texto da Lá no blog dela e pensei no que você, lindinha, disse em relação à procura da felicidade plena e coisas do tipo e como vivemos atrás do que é utópico. O fato é que realmente pensar que existe algo melhor, um topo a ser alcançado dá sentido à vida. E quando a vida não faz mais sentido? Ou acabamos com ela ou tentamos melhorar. Existem vários recursos, porém acho que na nossa atual sociedade onde a pressão é praticamente constante, o tempo parece correr e temos que fazer tudo mais rápido, o que faz parecer que nunca há tempo pra nada, os objetivos, sejam quais forem, parecem mais difíceis de serem alcançados pois as exigências aumentam e num mundo tão lotado como o nosso muitas vezes passamos desapercebidos e encolhidos no nosso canto quando não é isso que desejamos. Uma das soluções: ilusão.

Seja por anti-depressivo que nos faz sentir melhor, mas também pode causar dependência, pois eu não acho que ele solucione alguma coisa, é apenas um efeito temporário e isso é palavra de quem já tomou e toma tais remédios. Seja se enterrando no computador, assistindo tv sem parar, dormindo direto, ou se escondendo atrás de livros, festas, drogas etc. Há várias formas de disfarçar vazios, sofrimentos e dores, seja mantendo nossas mentes ocupadas ou fazendo algo que gostamos e fingindo sermos felizes.

O que é importante afinal? Seu diploma da faculdade? Mestrado? Um emprego com ótimo salário pra ter uma vida estável, ou um que tenha grana pra gastar com tudo que deseja e mais um pouco? Trabalhar no que se sente bem mesmo que não ganhe muito? Ou ganhar muito trabalhando em algo ou em um local que não goste? Viver sozinho longe de todos pra alcançar sua meta? Ou sacrificar seus objetivos e desejos pra ficar perto de quem ama? Tudo uma questão de prioridades, tudo uma questão de escolha pois nem sempre e acho que na maioria das vezes, podemos ter mais de uma coisa ao mesmo tempo.

E quando não se tem objetivos? O que é pior? Não tê-los ou tê-los e se não alcançados sentir a frustração? Ás vezes o primeiro parece mais confortável que o segundo, porém não acho que somos seres que consiga simplesmente viver por viver. Eu sinceramente amaria conseguir viver por viver. Me satisfazer por estar apenas com saúde e conseguir passar um dia de cada vez. Mas… será que a vida sem objetivos, sem metas tem algum sentido? Eu acho que não. Então talvez a felicidade plena seria a capacidade de se sentir satisfeito com o que se tem, mas isso muito parece com o conformismo. Então isso a torna mais uma utopia entre tantas. É, Lá, tenho que concordar com você.

Pra mim não há uma felicidade total, pois creio ser do ser humano nunca se sentir satisfeito. Sempre ter algo mais além a alcançar, sempre querer mais do que tem e isso que nos motiva, somos assim, queremos satisfação pessoal e quando alcançamos esse topo, já temos outro pra ser alcançado ou tudo se torna vazio.

Isso nos faz parecer tão tolos! Pois se não fôssemos sempre tão ambiciosos, sempre tão insatisfeito com que já temos e conseguimos, talvez encontrássemos a felicidade plena e pensando assim parece apenas uma questão de escolha, mas então… por que ela parece tão inatingível? Ou talvez sejamos estúpidos demais pra percebê-la e/ou sentí-la. Quem sabe nesse esquema de vida e sociedade que montamos fizemos uma definição de felicidade tão deturpada que criamos uma armadilha de insatisfação pra nós mesmos.

Eu apenas queria que tudo fosse mais simples.

Talvez precisamos nos reinventar. Mas isso é só mais uma utopia a ser acrescentada na lista.

P.S.: Desculpem quebrar a ordem das postagens, mas como ninguém mais estava postando aqui eu me dei à liberdade.